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quarta-feira, 31 de março de 2021

George

Título do livro: George
Autor: Alex Gino
Editora: Galera Júnior
Páginas: 144
Ano: 2016
Gênero: Infantojuvenil, LGBT+

Onde Comprar: Amazon


Sinopse: Seja quem você é. Quando as pessoas olham para George, acham que veem um menino. Mas ela sabe que não é um menino. Sabe que é menina. George acha que terá que guardar esse segredo para sempre: ser uma menina presa em um corpo de menino. Até que sua professora anuncia que a turma irá encenar “A teia de Charlotte”, e George quer muito ser Charlotte, a aranha e protagonista da peça. Mas a professora diz que ela nem pode tentar o papel porque... é um menino. Com a ajuda de Kelly, sua melhor amiga, George elabora um plano. E depois que executá-lo todos saberão que ela pode ser Charlotte — e entenderão quem ela é de verdade também.

Resenha:


Rapaz, menino, garoto, homem... Essas palavras desabam sempre sobre George como um amontoado de pedras. Desde muito cedo George sabia que era diferente, tinha a plena convicção de não ser o menino que todos enxergavam. George é uma menina, mesmo que tenha nascido no corpo de um menino, mas por quanto tempo ela conseguirá esconder esse segredo?


Tudo na sua vida a faz constantemente lembrar o quanto é diferente das outras garotas, desde o seu nome até o banheiro masculino que é obrigada a usar na escola. George só tinha liberdade pra ser ela mesma quando a casa estava vazia e podia se trancar no banheiro, onde finalmente teria a possibilidade de folhear as revistas teens que ficam escondidas em uma bolsa no seu guarda-roupa e se imaginar sendo amiga das meninas fotografadas nas revistas. Apenas nesses momentos ela perdia seus medos e aflições, mas George já está pronta para ser finalmente livre e contar para a família e melhor amiga que é uma garota.


A oportunidade perfeita surge com a peça da escola, onde a turma irá apresentar a obra clássica "A menina e o porquinho". George não poderia ficar mais feliz, afinal ela ama essa história e está decidida em conquistar o papel da aranha Charlotte. No entanto esta personagem está sendo concorrida por várias garotas da turma e a maioria não consegue compreender a escolha de George, mesmo que ela seja tão incrível na interpretação.



Com uma escrita simples e fluída o enredo envolve o leitor logo de primeira, tornando fácil finalizar a leitura em pouquíssimas horas. A narração feita por George deixa visível que o livro é direcionado ao público infantil, mas a riqueza que é essa obra deveria alcançar TODOS os públicos. De um modo delicado e realista, os capítulos trazem representatividade ao apresentar as vivências e os desafios de uma criança transgênero.


A protagonista do livro é de uma doçura infinita, tão meiga e adorável que tudo o que eu desejava era protegê-la de toda maldade desse mundo. Os personagens secundários também merecem o devido destaque devido a grande importância que ganham na obra, principalmente a melhor amiga Kelly que é a primeira a compreender e ajudar George. Já nos laços familiares há a amável mãe de George, que apesar de desejar o bem da criança se mostra mais resistente para encarar a realidade da filha. Por outro lado há Scott, o irmão mais velho, que tem um companheirismo lindo com o irmão e quebra o estereótipo de "irmão malvado" que há em muitos livros do gênero.


Infelizmente, a sociedade é construída com base em uma hierarquia e boa parte da população humana sofre com a exclusão quando considerado diferente. George não fica livre dessa exclusão e da não aceitação de várias pessoas que a rodeiam, nesse contexto há sim aqueles personagens que aparecem para abordar esta triste realidade. Nesse ponto a simplicidade da escrita impossibilita a profundidade das reflexões que poderia ter sido feitas, apesar de ser compreensível devido a leveza que toda a obra carrega.


A parte pedagoga em mim se aperta quando acompanha metade do enredo se passar no âmbito escolar, se contorcendo com os pontos negativos que se tornam claros em algumas atitudes e também com os positivos que sobressaem de modo sutil.


Diante de tudo o que é retratado no livro, fica impossível negar o quão valiosa é essa obra e o quanto ela é necessária para contribuir no processo de conscientização da população em geral. Outra importância que a leitura carrega é a visibilidade e representatividade transgênero, sendo tão rara quando o protagonismo é de uma criança. "George" é um livro que deve ser recomendado a todos públicos, acredito que muitos também precisem se colocar na perspectiva da personagem. 


Este já é um dos meus livros favoritos... E vocês, já embarcaram nessa leitura?

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terça-feira, 24 de novembro de 2020

Sulwe

 


Título do livro: Sulwe

Autor: Lupita Nyong’o
Editora: Rocco
Páginas: X48
Ano: 2019
Gênero: Aventura, fantasia, infantil.

Onde Comprar: Amazon


Sinopse: Sulwe significa estrela, daquelas que aparecem no céu da meia-noite. E quem não gostaria de ter um nome desses e de brilhar feito astro celeste? Mas o que Sulwe queria mesmo era se parecer com outro astro: o sol, radiante feito a luz do meio-dia. O que nossa pequena menina não imagina é que vai embarcar numa incrível viagem pelo espaço, onde todos têm a chance de irradiar sua beleza e seu brilho. Esse é o primeiro livro da consagrada atriz e produtora de cinema Lupita Nyong’o.

Resenha:
Sulwe é uma linda e encantadora garotinha que tem a cor da meia-noite, no entanto seu tom de pele escuro tem a deixado cada vez mais insatisfeita. Isso porque toda a sua família possui a pele clara, inclusive sua própria irmã que estava sempre rodeada de amiguinhos escutando apelidos fofos. Enquanto isso "escurinha", "noite" e "neguinha" era os apelidos que recebia e tanto a magoava.


Buscando reverter a situação, Sulwe faz de tudo para clarear sua pele: come alimentos brancos ou claros, passar a borracha no corpo e até mesmo usar a maquiagem de sua mãe. Quando nada disso parece funcionar, ela recorre as orações para que Deus modifique sua cor. Com tudo isso, até mesmo com a forte oração, a pele de Sulwe continua escura.


A mãe da pequena, observando a tristeza da filha, a chama para conversar e tenta lhe convencer que o brilho não está na pele ou na forma com que os outros a enxergam. Ela tenta lhe ensinar que o verdadeiro brilho, a verdadeira beleza, está na mente e no coração. Mesmo com todo o diálogo e carinho demonstrado por sua figura materna, Sulwe continua ressentida com sua cor.


Tudo se transforma quando a mais brilhante estrela cadente invade o quarto da menininha, levando-a a embarcar no mundo da  magia. Sulwe apresentada a história das irmãs Noite e Dia que, além de provocar várias reflexões, a deixa impactada e emocionada. Esta experiência promete mudar completamente a vida da pequena.


Esta obra é um verdadeiro tesouro, um presente voltado para o público infantil que conversa também com os adultos. O livro traz importantes reflexões sobre racismo, colorismo, padrões de beleza e autoaceitação. É simplesmente inacreditável a delicadeza em que tais assuntos são abordados e, ainda assim,  mostra a relevância de cada palavra, deixando claro a importância das mensagens transmitidas.


Para tornar tudo ainda mais incrível há a nota da autora, a maravilhosa Lupita Nyong'o, ela que ficou conhecida como atriz e produtora.  Agora como autora, ela expõe o quanto se identifica com o enredo que criou. Lupita também no hesita ao falar sobre representatividade, deixando claro o quanto isso precisa ganhar espaço nos dias de hoje.


A edição é simplesmente linda, com ilustrações de tirar o fôlego das pessoas com qualquer faixa etária. É tudo tão lindo, colorido e intenso... Que o leitor se perde apreciando cada detalhe. Não tem como negar: é um livro que todos precisam ter em casa, bibliotecas, livrarias e escolas.


Não deixa de ler e comentar aqui o que achou do livro!

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segunda-feira, 12 de outubro de 2020

Especial Dia das Crianças: Campanha Leia para uma criança do banco Itaú

No dia das crianças, nós do Litera Loucas iremos falar nessa postagem de um projeto bem bacana do Banco Itaú, que nesse ano completou 10 anos de impantação, o "Leia para uma Criança". Vocês conhecem esse projeto? Já participaram dele? A proposta basicamente consiste em disponibilizar para às famílias a cada edição, dois livros seja na versão impressa ou em ebook para o público infantíl, de modo a incentivar as famílias a lerem para seus filhos. Segundo dados do próprio site, a Fundação Itaú Social para manter esse projeto, conta com a parceria do UNICEF (Fundo das Nações Unidas para a Infância) e realiza a distribuição para os municípios parceiros do melhoria da educação (responsável por implementar tecnologias educacionais em municípios brasileiros).



O programa disponibiliza os livros para um público seleto de municípios, sendo primordial que aqueles que desejam a coleção faça um cadastro no período determinado no site da instituição, vou deixar o link aqui para você que deseja solicitar o livro desse ano ou o dos outros anos na versão em ebook. A instituição também disponibiliza livros para Organizações da Sociedade Civil e para bibliotecas comunitárias. Todo ano eu solicito os livros da instituição para meu irmão e vou dizer para vocês que são livros muito interessantes e que propões reflexões para as crianças. E ler para uma criança é super benéfico para a mesma, pois:

  • Estimula a imaginação e a criatividade
  • Amplia a autoconfiança e a capacidade de se expressar
  • Ajuda a compreender o mundo ao redor
  • Mostra a importância de entender e respeitar as outras pessoas
  • Apresenta valores, como generosidade e solidariedade


Para solicitar os livros não precisa ter uma conta nesse banco viu, basta entrar no link que disponibilizei acima e fazer o cadastro no formulário. O tempo de entrega é de 25 dias e pode confiar, chega direitinho e são livros super divertidos para as crianças. Além da versão física, nesse ano a campanha também está disponibilizando ebooks pelo whatsapp, então vale super a pena conferir também. Algo super legal também da campanha é que eles também disponibilizam livros acessíveis tanto audiovisuais ou com interpretação na Lingua Brasileira de Sinais (Libras). Se esse projeto estiver disponível para o seu municipio não perca a chance de se cadastrar e que esse projeto alcance cada vez mais crianças e instituições.


Que tal nesse dia das crianças ler para elas? Incentive seus alunos, filhos, irmãos e vizinhos a leitura. Aqui no blog tem algumas indicações literárias para o público infantil, não deixe de conferir.







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sexta-feira, 13 de março de 2020

A Cor de Coraline






Livro
:
A Cor de Coraline
Autor: Alexandre Rampazo
Ano: 2017
Páginas: 32
Editora: Rocco Jovens Leitores
Gênero: Infantil
Onde Comprar: Saraiva, Amazon, Submarino
Sinopse: Quantas cores cabem na pergunta “Me empresta o lápis cor de pele?”. Em A cor de Coraline, o ilustrador, designer gráfico e escritor Alexandre Rampazo passeia pelas inúmeras possibilidades contidas numa caixa de lápis de cor e na imaginação infantil a partir da pergunta de um colega para a pequena Coraline, e mostra que o mundo é mais colorido – e diverso – do que nos acostumamos a pensar. Com texto curto e bem-humorado e ilustrações graciosas, o livro aborda o tema da diversidade de forma lúdica para os pequenos. 

Resenha: Coraline tem uma caixa de lápis de cor. Quando um amigo pede emprestado o lápis "cor de pele", a menina se questiona: cor de qual pele?

Nenhuma pele é igual e não temos um lápis "cor de pele". Então a menina começa a pensar em várias pessoas e lugares diferentes, em outros povos, outros planetas, lugares novos onde poderiam haver pessoas de outras cores e começa a se questionar: por que não o lápis verde? Estamos falando de marcianos? Ou um planeta onde todos são muito meigos e da cor lilás? 

A Cor de Coraline é um ótimo livro pra ensinar que não existe uma cor de pele, existe a cor da nossa pele, e ela não é exata como o rosa claro da caixa de lápis, todos somos diferentes e temos peles diferentes. É muito interessante fazer essa reflexão com crianças e o livro é extremamente pertinente e necessário. 

Devemos aprender e ensinar sobre as diferenças, para que possamos desenvolver nosso auto conhecimento e o respeito ao próximo, que não será uma pessoa igual a nós e devemos saber lidar com todo o tipo de diferença.

Recomendo muito a leitura, especialmente se você for professora/professor como nós ou se tiver contato com crianças pequenas. É um livro lindo e nos permite muitas reflexões e conversas.

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sexta-feira, 11 de outubro de 2019

A gatinha siamesa chinesa





Título do livro: A gatinha siamesa chinesa
Autor: Amy Tan
Editora: Rocco (selo Jovens Leitores)
Páginas: 32
Ano: 2001
Gênero: Infantil

Onde Comprar:  Americanas; Submarino



Sinopse: Esta é a história de Ságoa, a famosa gata da China, que viveu há um milhão de vidas felinas. Arteira como ela só, a gatinha morava na casa do Magistrado Tolo, um homem ambicioso e criador de leis que só beneficiavam a ele mesmo.Certo dia, assustada com uma das leis proferidas entre um berro e outro pelo Magistrado – que dizia ao povo para NÃO cantar até o pôr-do-sol, Ságoa saltou da prateleira e caiu direto dentro de um tinteiro.Sem querer, a gatinha esfregou o nariz sujo de nanquim na lei e apagou o tal "NÃO" que proibia o canto. Resultado: as pessoas tiveram que cantar até o sol ir embora. Um contentamento de dar gosto espalhava-se pelo rosto de todos.Mas surpreendentemente a confusão mudaria – adivinhem? – o coração de um Magistrado. Tolo? Parece que nem tanto. Agora melhor seria dizer sábio.


Resenha:

A autora Amy Tan é conhecida por seus romances para jovens, mas ela também escreve livros infantis. Esse em especial, mora no meu coração porque é o livro que inspirou o desenho americano "Sagwa, a gatinha siamesa", que passava no canal Futura.



Os gatos siameses normais tem o rosto, as patas e a cauda de cor mais escura que o resto de sua pelagem, mas os gatos siameses chineses tem essa característica por motivos diferentes. Eles são assim por causa de uma confusão que Ságoa criou.

A história do livro se desenvolve na China Imperial, mais especificamente, em uma pequena província. Lá vivia um magistrado tolo, cujas leis não pensavam no bem de seu povo e faziam todos infelizes. Salvo os pequenos gatinhos chineses, brancos como pérola e muito brincalhões. A mais levada deles era a Ságoa.

Os pais dos pequenos gatinhos trabalhavam para o magistrado como escrivães, pois suas caudas finas e macias eram melhores do que os pincéis. O nanquim, tinta chinesa, era quase impossível de ser lavada dos pelos dos gatinhos, portanto, eles tinham a pelagem da cauda de cor castanha.

Num dia, o magistrado chamou seus gatos escribas para redigir uma outra lei terrível: as pessoas não devem cantar até o pôr-do-sol! Esse tolo achava que, se cantassem, as pessoas iriam se distrair do trabalho. Ele só não contava que Ságoa estivesse dormindo em cima da estante e que desceria de lá caindo diretamente no pote de nanquim, manchando seu focinho, patas e cauda. O pergaminho que estava aberto, esperando que a tinta secasse, ficou manchado exatamente na palavra "não"! E fica pior! O magistrado nem conferiu o pergaminho quando o pregoeiro das leis foi pegar a nova lei para declamar ao povo! Que enrascada!

O povoado não acreditou muito que essa lei era real, mas saiu a cantar de felicidade, louvando a bondade do magistrado para com eles. O tolo magistrado ficou tocado com aquelas belas declarações e mudou seu coração. Para homenagear a gatinha que criou essa confusão, decretou que todos os gatos chineses fossem pintados com nanquim.

O livro nos traz várias reflexões, entre elas, o que é ser um sábio e um tolo? Mesmo pequenos, podemos fazer a diferença? A bondade, um elogio, uma gentileza pode mudar os comportamentos de uma pessoa? Essas perguntas não são fáceis de serem respondidas nem por adultos, mas podemos sempre conversar sobre esses temas e descobrir novas formas de viver bem com os outros. Por isso convido a vocês, adultos e crianças, a se unirem nessa deliciosa leitura.
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