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sexta-feira, 21 de agosto de 2020

Sempre Vivemos no Castelo


Livro
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Sempre vivemos no castelo
Autora: Shirley Jackson
Ano: 2017
Páginas: 200
Gênero: Horror/Ficção
Editora: Suma de Letras
Onde Comprar: Saraiva, Amazon, Submarino

Sinopse: Morando na casa da família Blackwood com Constance, a irmã mais velha, e o tio Julian, Merricat só quer manter o delicado equilíbrio conquistado pelos três. Mas, desde que Constance foi acusada de um terrível crime, ninguém deixa os Blackwood em paz. Quando o primo Charles chega à cidade, tentando fazer amizade com Constance e despedaçar tudo o que Merricat conquistou, ela entende que precisa fazer o possível para proteger o que sobrou de sua família - e isso pode levar a atitudes inesperadas.

Com um humor macabro, Sempre vivemos no castelo conta a sombria história de Constance e Merricat Blackwood, uma das maiores anti-heroínas da literatura americana.

Meu nome é Mary Katherine Blackwood. Tenho dezoito anos e moro com a minha irmã Constance. Volta e meia penso que se tivesse sorte teria nascido lobisomem, porque os dois dedos médios das minhas mãos são do mesmo tamanho, mas tenho de me contentar com o que tenho. Não gosto de tomar banho, nem de cachorros nem de barulho. Gosto da minha irmã Constance, e de Richard Plantagenet, e de Amanita phalloides, o cogumelo chapéu-da-morte. Todo o resto da minha família morreu.

Resenha: Constance, Merricat e o Tio Julian são os únicos sobreviventes dessa família, depois que todos morreram após ingerir arsênico no açúcar que colocaram no chá. As duas irmãs cuidam uma da outra e do tio, quer teve sequelas após o incidente. A cidade inteira tem medo delas e são muito hostis, mas as duas tentam manter uma rotina de "normalidade" depois dos fatos traumáticos. 

O livro é bastante incômodo, com um humor mórbido e que causa umas sensações muito estranhas e bastante desconforto ao ler. 

Eu cheguei a conclusão de que o único ser que não é maluco nesse livro é o gato Jacob, fora ele todo mundo é muito estranho... A irmã mais velha, Constance, morre de medo de sair de casa e ver pessoas e os diálogos do livro causam muito desconforto. Tudo culpa desse humor mórbido e bizarro que eu mencionei. 

Eu amei o livro! É aquele tipo de terror que te causa estranheza, diferente de quando lemos algo ou assistimos um filme que nos deixa com medo de apagar uma luz. É diferente, não tem seres que vão surgir pra tentar matar todo mundo ou coisas do tipo, mas é incrivelmente bom justamente por isso!

No começo achei a leitura um pouco lenta, mas depois a história foi me prendendo de uma maneira que parecia que eu estava vivendo tudo aquilo com as duas irmãs. Recomendo demais a leitura e tenham em mente que Shirley Jackson foi uma das inspirações literárias de ninguém menos que Stephen King! 















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quinta-feira, 30 de janeiro de 2020

Casa de bonecas

Título do livro: Casa de bonecas
Autor: Henrik Ibsen
Editora: Abril Cultural
Páginas: 173
Ano: 1983
Gênero: Teatro

Onde Comprar:  Saraiva, Submarino



Sinopse: A peça Uma casa de bonecas foi lançada em 1897 e é considerada uma obra em que o feminismo aflora ao final da história. A narrativa se desdobra em torno de Nora – esposa de um diretor de banco que a tem como frívola e inocente –, que faz de tudo para salvar o marido de uma doença; para tal fim, ela mente e consegue um empréstimo com um homem seu caráter e sem que seu marido ou seu pai saibam. Contudo, quando seu marido, Helmer, descobre, a repudia. Ela, então, ao ver sua posição inferior na sociedade, principalmente pela humilhação que sofre do marido, por ter feito de tudo para salvá-lo, revolta-se e resolve deixar marido e filhos.


Resenha: 

Adoro quando leio um livro sem nenhuma expectativa e ele me surpreende. Essa peça é uma dessas surpresas. Tinha ouvido falar dele no Ensino Médio, cheguei a ler o começo e desisti. Não é que seja um livro chato, eu apenas não sabia direito do que se tratava. Não me arrependo de ter abandonado, só fico imensamente feliz pela vida ter me colocado esse livro em mãos novamente.

Casa de bonecas é composta por três atos com pouquíssimos personagens, o que ajuda muito para quem está começando a ler peças. É uma leitura muito rápida, fluida e interessantíssima. Dizem que o autor baseou a obra na vida de uma amiga, modificando o final.

A peça retrata o conflito de Nora Helmer, uma esposa troféu, dedicada a paparicar os filhos e ser um bibelô do marido, Torvald Helmer. Algumas falas e a presença de duas empregadas amistosas confirmam que Nora não tem o que podemos chamar de "habilidades domésticas". A vontade de se sentir útil somada à uma crise financeira faz com que Nora peça um empréstimo a um homem de mau caráter que trabalha no mesma empresa que seu marido.

A vida estava bem melhor, Helmer foi promovido no e Nora juntava, secretamente, o dinheiro para acabar com sua dívida. A promoção do marido trouxe confusão, ele precisava demitir justamente o homem que tem Nora nas mãos. Chantageada e em busca de uma saída, Nora precisa revelar seu segredo ao Torvald ou bolar uma grande estratégia para que todos consigam o que querem.

Na trama aparecem outros personagens como uma amiga de Nora, Cristina Linde, na qual ela conta seu maior segredo e pede conselhos. Também há a presença do doutor Rank, um amigo do casal que guarda uma paixão secreta por Nora. Eles aparecem para dar uma liga à trama e ajudar Nora a se conscientizar sobre sua situação.

Claramente, o ponto alto da trama é seu final totalmente inesperado. A mudança sutil do comportamento de Nora durante a peça não nos prepara para sua atitude radical. Não é à toa que a obra tenha causado tanta polêmica a ponto de ter um final alternativo.

Além de feminista, a peça denuncia o lugar da mulher na sociedade. A comparação entre uma Senhora Linde, viúva que sempre trabalhou para viver e tem objetivos na vida, com Nora, cuja única função é divertir seus filhos, marido e amigos, é a maior crítica do autor à objetificação da mulher na sociedade burguesa. Nora foi uma boneca nas mãos de Helmer.

A leitura desse livro consegue ser tão atual que nem parece que foi escrito no século XIX. São encontradas muitas edições e adaptações dessa obra incrível para se ler independente da época.

Já leram? Conta pra gente!
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domingo, 6 de outubro de 2019

As aventuras de Pedro Coelho

Título do livro: As aventuras de Pedro Coelho
Autor: Beatrix Potter
Editora: Companhia das Letrinhas
Páginas: 93
Ano: 2014
Gênero: Infantil / Clássico

Onde Comprar:  Amazon



Sinopse: Quem nunca ouviu falar de Pedro Coelho - o dentuço mais famoso, e levado!, do mundo - e de Beatrix Potter, que escreveu e ilustrou as suas aventuras há mais de cem anos? Com milhares de fãs nos mais diversos países, esses dois já viraram desenho animado, filme, e continuam encantando crianças e adultos. Publicado no Brasil pela Companhia das Letrinhas, mas fora de catálogo há um bom tempo, Pedro está de volta, assim como outros personagens criados por Potter. Em As aventuras de Pedro Coelho os leitores vão conhecer as quatro principais histórias da série - “A história de Pedro Coelho” (o primeiro texto infantil de Beatrix Potter), “A história do coelho Benjamin”, “A história dos coelhinhos Flocos” e “A história do sr. Raposão”. Acompanhadas dos desenhos originais, elas falam sobre as malandragens e apuros do coelhinho, em um texto divertido e charmoso.


Resenha: 

Para quem não conhece a história de Pedro Coelho, aqui vai uma rápida resenha desse clássico infantil que agrada pessoas de todas as idades. Beatrix Potter é a criadora de, não apenas historias, mas de um mundo de fantasia muito divertido e cheio de coelhos que se metem nas maiores confusões. A escrita pode não ser muito apropriada para crianças muito pequenas, mas é passível de adaptações para uma linguagem mais simples.

Apesar de levar apenas o nome de Pedro Coelho, este livro conta a história de uma amizade entre ele e seu primo Benjamin em quatro contos. Desde a infância até a vida adulta eles estão sempre juntos, ajudando um ao outro a se livrar de grandes enrascadas.

O livro tem muita influência dos contos clássicos de Grimm, Andersen e Esopo, com o diferencial de ter contos que se interligam e fazem o leitor cair no mundo fantástico de Beatrix Potter. O livro tem até um mapa para que o leitor se localize nos lugares que os queridos coelhos passam, feito pela própria autora. Aliás, todas as ilustrações foram feitas por ela, numa linda delicadeza clássica.



Esta edição da Companhia das Letrinhas está um primor, com a capa dura e ilustração colorida. Pode ser um pouco mais caro do que se encontra para preço de livro infantil, mas vale a pena todo investimento nesse trabalho. As aventuras de Pedro Coelho não se resume a esses quatro contos, então espero que eles possam lançar mais livros.
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quinta-feira, 18 de julho de 2019

Juvenília



Título do livro: Juvenília
Autor: Jane Austen e Charlotte Brontë
Editora: Penguin (Companhia das Letras)
Páginas: 490
Ano: 2014
Gênero: Clássico

Onde Comprar:  Amazon, Saraiva, Submarino





Sinopse: À primeira vista, Jane Austen e Charlotte Brontë parecem radicalmente opostas. Austen representa a elegância e a proporção neoclássica, parodiando excessos literários e criticando as fraquezas humanas. Brontë, por sua vez, imprime em sua escrita toda a paixão e a extravagância do espírito romântico, não raro com forte influência da fantasia. Numa época em que a literatura popular era considerada perigosa para a mente das jovens, a erudição precoce, a originalidade e a liberdade de espírito aproximam essas duas autoras. Ambas tinham como personagens centrais mulheres, sendo responsáveis pelos retratos mais marcantes de lealdade e dedicação feminina da literatura inglesa. E ambas constroem as suas heroínas como produtos do condicionamento feminino da época, cujas expectativas sociais eram muito restritas. Austen e Brontë tiveram uma produção bastante fértil na juventude, reunida neste livro, a qual parece encontrar uma espécie de equilíbrio no conflito entre a moral individual e social, criando heroínas complexas que se destacam por sua coragem e independência.

Resenha: 


Juvenília é o nome que damos aos primeiros escritos das grandes autoras Jane Austen e Charlotte Bronte. A Penguin fez essa edição maravilhosa com os trabalhos juvenis das duas em um único volume e hoje a resenha vai ser sobre ele. 

Este livro é incrível para quem ama os livros de Jane Austen! Vemos uma Jane (entre 12 e 18 anos) menos refinada, mas com a mesma língua afiada que a fez tão famosa. Afetuosa, espirituosa e hilária, ela dedica essas pequenas obras para seus amigos e parentes.


Nesse conjunto de pequenos escritos é perceptível a sua personalidade satírica e seu olho para apontar as fraquezas humanas (vaidade, tolice, superficialidade, hipocrisia, materialismo...). Entretanto, nunca foi de seu feitio ter escritos moralistas.

Algumas das histórias parecem absurdas demais para serem da mesma autora. Uma mulher que joga seus filhos da Torre de Londres não é algo "Austeniano". A impressão que me deu é de que isso foi, realmente, os primeiros indícios de uma mente criativa e crítica. Podemos apontar alguns "rascunhos" do que seriam personagens de seus livros mais famosos e até rir na comparação entre as juvenílias e as grandes obras.

O que fica mesmo é o essencial: uma Jane Austen crítica, perspicaz e que não se deixa calar. 

Minha maior tristeza é que nesse livro não consta sua obra que parece ser a mais engraçada: Uma história da Inglaterra ("escrita por uma historiadora parcial, preconceituosa e ignorante. Haverá muito poucas datas nessa História"), que parece ser bem informativo e hilário.

Quanto às juvenílias de Charlotte Brontë, muito também há para se relatar. Suas juvenílias se passam em um único mundo criado por ela e seu irmão Branwell. E dava realmente para apostar que os dois escreveriam um bom livro de fantasia!

Esse mundo de fantasia começa numa linearidade, mas depois se desfaz com grande rapidez. Você consegue até ouvir um diálogo de crianças argumentando o porquê daquele personagem tomar tal atitude. As vozes dos dois pequenos escritores também são muito destoantes, entre começar um romance ou fazer uma guerra. Muitos personagens morreram em seus escritos e muitos amores foram destruídos. Não se apeguem.

Foi uma experiencia muito boa ler os escritos juvenis de duas autoras que eu amo muito. É como conhecer intimamente elas. Recomendo a todos que já leram alguma obra dessas duas divas. Se ainda não leram nada, recomendo que comecem pelas obras célebres.

Já leram as juvenílias? O que acharam?
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domingo, 16 de junho de 2019

Trilogia da Morte de Pasolini




Título original: Salò, O le 120 Giornate di Sodoma
Dirigido por: Pier Paolo Pasolini
Tempo de duração: 116 minutos
Ano de lançamento: 1975








Sinopse: Quatro libertinos fascistas reúnem nove adolescentes, meninos e meninas, submetendo-os a 120 dias de sofrimento como escravos sexuais, obrigando-os a praticar os mais diferentes tipos de orgias, torturando-os física e mentalmente. Trailer

CLASSIFICAÇÃO INDICATIVA: 18 ANOS

Resenha:

Essa é a resenha do que supostamente seria uma Trilogia da Morte de Pier Paolo Pasolini. Infelizmente, é composto por um só filme, pois o artista foi assassinado no mesmo ano da estreia do primeiro filme.

A intenção de Pasolini, ao criar a Trilogia da Vida, era chocar os espectadores, contudo, os filmes não tiveram a recepção esperada por ele. Decidido a criar filmes que realmente espantassem, o cineasta criou a trilogia da morte. Esta teria não só a morte como tema principal, mas abordaria a crueldade daqueles que detém o poder.

Com a mesma pegada de adaptações de livros clássicos, o único filme dessa trilogia é Salò, ou 120 dias de Sodoma, inspirado na obra de Marques de Sade. Já dá para ter uma ideia do que está por vir, não?


Dou um alerta a todos que tem estômago fraco porque não é um filme de se agradar aos olhos. Para ter uma ideia, o filme é estruturado em três ciclos: Das manias, das fezes e do sangue. Essa estrutura até se assemelha aos ciclos do Inferno de Dante.

Salò, ou os 120 dias de Sodoma retrata a história de quatro amigos: o presidente do banco, o duque, o bispo e o magistrado. Há uma pequena mudança intencional que Pasolini fez da obra de Sade com objetivo de encaixar as funções dos personagens em figuras de grande poder na Itália de sua época. A crítica maior de todo o filme está nesse exato ponto, em que o artista associa a burguesia em ascensão com o fascismo. Aliás, Salò é o nome da cidade onde Mussolini governava. Pasolini é um gênio ao conseguir adaptar sua visão em cima de qualquer obra literária e ser fiel aos escritos dos autores.
Mal elas sabem que a burguesia nunca exitou em matar suas filhas.


Essas figuras tão respeitadas, nas duas épocas, aparecem no filme como a representação de toda podridão da humanidade. Os quatro amigos começam arranjando um grande casamento em que cada um casa com a filha de seu companheiro, não as mantendo como propriedade única, mas do grupo. Assim esse casamento é motivo para uma grande festa que dura 120 dias.
  


Usando sua autoridade, cada amigo escolhe um grupo de garotas e garotos imaculados para ficarem presos em uma mansão. Outras relações de poder importantes aparecem durante o filme. Os guardas são aqueles que não questionam as autoridades, apenas cumprem suas ordens. Uns jovens abastados, podendo ser interpretados como uma burguesia menor ou uma força policial, são a mão violenta. E tem as figuras das professoras, a ferramenta ideológica do Estado.


É um filme forte e que deve ser assistido com atenção, porque algumas cenas são eclipsadas pelo nojo e repulsa que sentimos. As críticas de Pasolini são atualíssimas e continua a intrigar. Espero que vocês vejam o filme e comentem aqui sobre o que acharam!


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